A cegueira proposital

Já ouviu que existiu
Do mar, um estranho tio
Que viveu a base da ignorância
Ou melhor, da própria ânsia?

Ânsia da vida, ânsia de si
Ânsia de espelhos, ânsia que aipim
O que seria o incômodo com o Saci?
Não sei, pois uma casa construí

Eu poderia falar de um "Não obstante"
Pois ele não foi sempre ignorante
Pois de um burro ele foi dono
Que sofreu um triste abandono

Abandono da mente e da visão
Não podendo ver nenhum bisão
Bisão de muita carne, aviso a tu
Diferente do burro, que é só esqueleto

Esqueleto vivo, mas andante
Que nunca viste um mero gigante
Burro alto, mas de peso brilhante
Nada pesa, apenas obediente
A um dono bastante ignorante

Se me perguntarem sobre a verdade
Não afirmo-te alguma veracidade
Pois o burro desconhece a verdadeira verdade
Que não foi narrada por não-verdades
Ocultadas pelo dono por maldade

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