Para Dexter e o velho porco
Em uma velha fazenda de antigo dono falecido, os animais que ele cuidava passaram a viver em uma estranha paz após determinado tempo, do jeito que sempre foram e sempre serão. De vez em quando, os vizinhos do antigo morador humano dão-lhes de comer e beber o correspondente a 15 dias, sendo esse um hábito comum nos últimos tempos.
Entre os animais daquela fazenda cooperativa, estavam dois porcos, sendo que um é velho(mas inteligente) e outro analfabeto funcional(mas jovem). Eram eles que organizavam a rotina dos demais animais(incluindo bovinos, equinos, aves e ovinos), com um comitê próprio em que se reuniam uma vez por mês.
Certo dia, quando o vizinho da fazenda, chamado Jones, foi entregar-lhes os mantimentos necessários, encontrou o principal cavalo daquela fazenda, chamado Dexter, à beira da morte no grandioso pasto, longe da vista que qualquer outro animal do local. O fazendeiro pegou o celular e ligou para a prefeitura municipal da cidade mais próxima, pedindo os serviços do matadouro.
Alguns minutos depois, um grande carro chegou àquela fazenda. Os animais, confusos, aproximaram-se daquele grande veículo, incluindo os dois porcos. O porco mais velho perguntou ao mais jovem:
–Você poderia ler o que está escrito na lateral do carro? Minha visão está meio ruim...
Atento, o mais jovem leu em sílabas:
–Ma-ta-dou-ro.... –e, após pensar um pouco sobre o jeito de anunciar, falou: –Criadouro!
Mas o porco mais velho gritou, com uma voz falha:
–É "matadouro", seu animal! O Dexter vai ser morto!
Os demais animais, surpresos com tal anúncio, caíram aos prantos por longos minutos, não conseguindo resgatar o cavalo de ser levado à cidade.
Horas mais tarde, no mais completo luto em relação ao falecido, Noah, o corvo, falou para eles através do parapeito da janela:
–Amigos...sei que perdemos um grandioso amigo. Dexter sempre foi e sempre será um amigo equino amável, responsável, e bem-humorado até na pior das eras. Que ele esteja feliz no Céu...!
–Ou triste no Inferno...–interrompeu um gato, com cara de tédio.
–Que sejamos positivos! –Finalizou Noah.
Após aquele pequeno discurso, todos os animais realizaram uma celebração funerária ao grandioso equino ausente, com a lápide feita por um pica-pau. Dexter foi, de facto, um grandioso amigo àqueles que conviveram com ele. Na noite de chuva, todos os animais estavam de frente ao moinho da fazenda(o maior trabalho de Dexter) de cabeças inclinadas para baixo, em respeito com o falecido. Após alguns minutos de reflexão, um raio atingiu a construção, destruindo-o e matando o velho porco.
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