O incômodo procrastinado

Uma manhã, em uma certa casa de Classe Média, um rato foi falar com um gato na casinha de madeira desse segundo. Quando se aproximou, bateu 3 vezes na madeira da casinha, e o gato respondeu, perguntando:

–Quem poderia ser a essa hora?

   O rato animou-se com a voz e respondeu:

–Eu soube que a sua dona incomoda-se com a minha presença e com a presença de minha família. Como um gato, deveria ser a sua função saber onde eu vivo, para me matar em algum momento.

     O gato mostrou o seu semblante, laranja e cansado, assim como as suas patas dianteiras, que cruzou no chão.

–Depois eu vejo com um amigo o que faremos. Eu te responderei amanhã.

     O rato aceitou e foi embora.
     Na manhã seguinte, o rato voltou à casinha de madeira do gato, bateu 3 vezes na madeira e perguntou:

–Já chamou o seu amigo?

    O gato mostrou o seu semblante novamente, respondendo:

–Não, não. Ele não quis vir aqui. Quiçá eu pergunto a outro amigo, e respondo amanhã.

–Tudo bem. –respondeu o roedor.

     E foi embora.
     No mesmo horário no dia seguinte, o pequeno animal voltou e, antes mesmo de bater na casinha, o felino respondeu:

–O meu amigo chamou-me de incompetente por não saber fazer as coisas sozinho.

     O rato, um pouco surpreso, decidiu gozar com o companheiro:

–Só percebeu isso depois de 4 meses?

–E onde você fez a sua toca, aliás? –perguntou o gato, com uma dúvida genuína.

    O rato suspirou e respondeu:

–Bem atrás de sua casinha, na parede.

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