Eu sou um avestruz

      Até o ano de 2025, eu estudei na turma B – deplorável turma B. Se alguém os questionasse sobre o meu impacto na sala aos meus antigos colegas, teria respostas positivas(com alguns referindo-se a mim como "amigo"); se me questionarem agora, obterá uma das piores respostas. E isso tem um motivo.
     Desde que voltamos da pandemia da COVID-19, lá em 2022, tivemos de nos adaptar a esse novo período de nossas vidas. Eu estava no 6° C, cujos principais alunos encontram-se no 1° B no ano de 2026. Adaptei-me rapidamente àquela volta, já sendo "famoso" por minha suposta inteligência no ano seguinte(em que estávamos no 7°B). Todos da minha sala conversavam comigo; ora discutindo o gabarito das provas, ora recebendo cola das atividades. Eu poderia até ser adorado pelos docentes e colegas, mas havia um vazio perpetuante em mim relação a esse segundo grupo. Eles só gostavam de mim por eu ser supostamente inteligente e nada mais(exceto por pouquíssimos colegas).
        É estranho, eu posso dizer, jovens como eu determinarem amizades através de uma característica que lhe serão úteis. É como adotar um cão em vez de um avestruz. O motivo? Cães são seres de pequeno porte, são companheiros nos passeios e ajudam na alegria e na tristeza; já o avestruz...é só uma ave corredora com o tamanho de uma pessoa.
      Voltando à vida real especialmente nesse ano de 2026(em que estou no 1° C), alguns dos meus antigos colegas estiveram me perguntando se eu sentia falta deles. Como o amor foi unicamente unilateral, e vocês me conhecem bem, a minha resposta teve de ser um "não".
       Por fim, eu sempre quis ser um avestruz.

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