O vermelho que não é de rosas

    Olá, meus caros leitores. Tudo bem com vocês? Hoje, nesse estranho texto, eu os relatarei uma história um pouco antiga, de veracidade duvidosa e informações incompletas. Caso queira acompanhar do início ao fim, poderá ler adiante.
     9 anos atrás, em uma cidade pacata, um passarinho estava em cima do galho de uma árvore, observando uma sala de aula através da janela. Era um Shima Enaga macho, ave típica japonesa, e estava interessado em passar o tempo naquele lugar.
     O sinal do colégio tocou, e os alunos começaram a sair do lugar. Ao ver os jovens se dispersarem, o Shima Enaga se deparou com uma garotinha pegando algumas borboletas com uma rede, o que se mostrou falho em certo momento. Ele saltou do galho e, planando, chegou ao ombro da garotinha ruiva, que fez um pequeno sorriso ao vê-lo de soslaio.

–Olá, passarinho –ela falou. –Tudo bem?

    O pássaro piou um pouco quando a garota sentou-se no chão, apoiando as costas na parede da escola e deixando a rede de lado. Ele pulou para o seu colo, com os seus pés pequenos e pretos. A garota comentou, tocando em sua cabeça:

–Eu me chamo Naomi Kobayashi...e você?

    A ave piou, o que ela não compreendeu com clareza. Inclinou a cabeça de lado e pensou um pouco.

–Vou te chamar de Urashima...é o nome de um personagem de um conto... –Naomi falou depois, com a ave piando como resposta.

     Depois disso, Naomi começou a falar diversas coisas para a ave(coisas de criança, sabe?), como a vez que aprendeu a andar de bicicleta e seus planos para as férias de verão. Urashima, a pequena ave, ouvia alegremente aquelas coisas durante esse tempo.
      30 minutos depois, Naomi teve de ir embora por ter compromissos naquela tarde, deixando Urashima sozinho nos arredores da escola. Enquanto via a garota carregar a rede de borboletas, Urashima voltava para a árvore onde estivera tempos atrás, esperando novas possibilidades de vê-la novamente.
    Tarde, noite e madrugada se passaram, e finalmente o sol voltou a fazer parte do famoso horizonte. Os alunos chegavam no colégio aos poucos, enquanto Urashima procurava insetos para comer naquele início de manhã. Após comer o que tinha de comer, viu uma pessoa familiar chegar no local. Era a própria Naomi, a nova amizade que fizera no dia anterior. Ao vê-lo, Kobayashi o pega levemente com as duas mãos e levanta-o na altura da vista. Acariciou sua pequena cabecinha.

–Como passou a noite, meu pequeno amigo? –perguntou.

    Urashima piou alegremente, subindo na cabeça da garotinha. Naomi teve de tirá-lo de lá e colocá-lo no chão.

–Eu preciso ir para a aula, amiguinho... –e ela entrou no colégio.

     Enquanto ocorriam as aulas de Naomi, Urashima pôde observá-la através da janela, sendo o seu ponto de referência a sua árvore. De vez em quando, Naomi o observava e piscava para ele durante as aulas, com aquele típico sorriso marcante.
     Entretanto, naquela manhã, houve uma coisa em particular com aquela jovem garota. Não se sabe como, mas um estranho assassino havia se infiltrado naquele colégio e começado um massacre a sangue frio com algumas garotas, com Urashima só podendo ver o vulto do assassino e de Naomi através da cortinha fechada, branca e vermelha do sangue de sua amiga. Aquilo foi abrupto para ele, posso dizer.
      Na manhã seguinte, enterrou-se Naomi de frente à árvore de Urashima, com a lápide escrita assim:

"Aqui jaz Naomi Kobayashi, uma jovem sagaz, interessada em ciências naturais e filha de biólogos.

Nascida em 03/03/2008

Morta em 13/03/2017

Que a memória de sua pessoa permaneça em seus parentes, amigos e em seu novo companheiro de vida, Urashima, um Shima Enaga"

Urashima veio a falecer 3 dias depois, no mais profundo luto.

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