O monstro que não é
Há muito tempo atrás, em um reino desconhecido, havia uma lenda sobre um grandioso monstro das cavernas que costumava ser sádico em relação às demais espécies de monstros, animais e humanos. Um grande autor de massacres, capaz de copiar a aparência de qualquer ser que visse. Muitos tinham medo dele, enquanto outros tratavam-o como uma balela. E foi à procura de fatos que Welherm, um nobre cavaleiro, começou a procurá-lo, e assim tornou-se convicto até o fim.
Saindo das ruas de sua pequena vila(uma que compunhava a grande nação), ele foi para o oeste, onde ficavam as regiões mais montanhosas. Tinha comida necessária para 4 dias, sendo essa a mesma quantidade de pontos cardeais e a quantidade de estações no ano. Procurou de caverna em caverna de maneira insistente, a fim de caçar aquele homicida.
Por volta da 50° caverna, ele achou uma fogueira na mais funda escuridão, onde assava um porco comum. Ao lado dela, havia uma gosma amorfa, lilás, com dois pontinhos que representariam os olhos. Aquele era o monstro que caçava. Tirou a espada da bainha e gritou:
–Você! O maior monstro homicida do mais novo milênio! Que males deseja fazer agora!?
De susto, a gosma salta e se transforma em um gato preto, gritando:
–Um humano! Não quero morrer...
Welherm fitou o gato, esperando uma resposta que o agradasse. O monstrinho perguntou:
–Como assim "males"? Tenho cara de vilão agora?
O herói pareceu confuso após isso.
–Mas você não era o monstro que realizou vários massacres nos últimos tempos? –perguntou.
O gatinho negou com a cabeça, virando o espeto que estava com o porco.
–Ah, não...isso é só uma lenda. Na verdade...
–"Na verdade" o quê? –perguntou o cavaleiro.
–Foram vocês que mataram a grande parte da minha espécie. –o monstrinho falou, o que surpreendeu o cavaleiro.
–Como assim? –ele perguntou.
–Caças...guerras...assassinatos diários...tudo isso parece tão comum para todos nós desde quando nos entendemos como seres nesse grandioso mundo. Uma vez que se expõe à arte da violência, tivemos a tendência de tratar os outros como malfeitores e vilões, dignos de morte. O que motivaria esse desprezo, aliás? Inveja? Ódio a determinado grupo de seres? Ou boatos alheios?
"Você veio me caçar achando que eu era um homicida, certo? O ato de nos acostumarmos a lutar contra vós é pelo motivo mais mundano do mundo: vocês nos matam. E passaram a nos evitar quando passamos a fazer a mesma coisas que fizeram a nós no passado. Reflita sobre isso."
Foi isso o que o monstrinho tratou de falar enquanto tirava o porco do fogo, servindo uma pequena porção para si. O cavaleiro ficou perplexo, e resolveu sair da caverna.
"Quem é o monstro, aliás?", pensou antes de pular da montanha, ocasionando sua morte.
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