O erro do departamento

   ​O Departamento de Destinos Amorosos estava silencioso, exceto pelo som de guitarras distorcidas vindo de uma pequena TV de tubo flutuante. O Deus do Amor, usando um roupão de cetim com a estampa "O Cupido é Cego", estava hipnotizado pela tela.
​— Gente, lutar contra sete ex-namorados? Que conceito! — ele murmurou, ignorando o alerta de "CONFLITO DE DESTINO" que piscava em vermelho no seu monitor.

    ​Na sua frente, a ficha de um recém-nascido aguardava o carimbo final. O campo "Quantidade de Almas Gêmeas" estava em branco. O Deus pegou a caneta de ouro, os olhos fixos na batalha final de Scott Pilgrim.

​— Isso foi... 10/10! Obra-prima! — exclamou ele, carimbando um 10 gigante e circular bem no meio da ficha do bebê.

      ​Ele suspirou satisfeito, mudou de canal para um infomercial de facas e nem percebeu que o sistema acabara de programar dez garotas simultâneas para um pobre coitado no interior do Brasil daqui a 16 anos.

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