Entre cartas e gatas

Em um quarto de uma taverna, no meio da noite, um cavaleiro estava sentado a uma mesa de frente à janela, escrevendo uma carta à família sob a luz da lua cheia. Seu nome era Sir Percival.
     Escrevia, com uma bela caligrafia, no papel, enquanto sua companheira, uma híbrida de mulher e gato, dormia confortavelmente na cama. Em certo momento, a mulher acordou, se levantou e se aproximou do companheiro. Ao percebê-la, Percival perguntou respeitosamente:

–Boa noite, Mia...o que ocorreu para acordar a essa hora da noite?

    A híbrida, sem falar nada, sentou-se no colo do cavaleiro e se acomodou, balançando a cauda. Percival bagunçou levemente seus cabelos, longos e negros, antes de voltar a escrever.
      Uma curiosidade quase científica veio na mente do homem de alta classe.

​— Dizem que os gatos só escolhem o colo daqueles que estimam... — comentou Percival com um meio sorriso, sem tirar os olhos do papel. — Devo acreditar que o mesmo vale para você?

     Corando, Mia fala, com a cauda felina ereta para cima:

–Não...só quero dormir aqui mesmo...
  
    Percival dá carinho em suas costas, fazendo-a ronronar, e volta a escrever a carta.

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