A revolução das divagações românticas
Era uma tarde de sábado quando Mikhael, um rapaz com os seus 18 anos de idade, estava em seu quarto estudando para um vestibular que teria na semana seguinte. Era um rapaz esforçado, que sabe dividir o tempo entre momentos de alegria e obrigação. Anotava os principais detalhes de seus estudos em um caderno, sendo esse o único som que emitia no quarto(além do livro virando).
Após terminar de estudar Biologia, ele recebe uma ligação de sua mãe. Seu celular era da Samsung, cuja capa era de cor ciano. O papel de parede na tela de bloqueio era do Pokémon Arceus e, nas notificações, a ligação da mãe aparecia com o nome de contato "Minha bela rainha". Eram 17:43. Ao atender, a mãe falou que voltaria para casa tarde, e era para Mikhael ir ao mercado comprar o que estava em uma lista de compras na mesa da sala. Ela sempre falava de maneira direta, sem rodeios.
Depois da ligação, Mikhael se levanta da cadeira, vai à sala e pega a lista de compras. Antes de finalmente sair daquele apartamento que ficava no oitavo andar, o rapaz se olhou no espelho. Era um rapaz de altura mediana, com 1 metro e 68 de altura. Não era tão forte, nem gordo, e nem magro por definição física. Seus cabelos, castanhos e desgrenhados, chegavam à altura dos ombros. Usava regata e bermuda.
–Eu realmente preciso trocar de roupa antes de sair. –Falou para si mesmo.
Voltou ao quarto, penteou os cabelos e trocou de roupa. Ao sair, revelou-se com um suéter cinza com uma estampa de gatinhos(presente da namorada, Marianne, em seu último aniversário) e uma calça jeans preta. Enfim, saiu do apartamento 247, carregando as chaves do lugar consigo mesmo(ambos os pais trabalhavam no sábado, e era filho único).
Enquanto andava pelas ruas daquele bairro comercial da cidade, o rapaz admirava as casas, prédios e até alojamentos. Percebeu algumas pessoas, mas evitava conversar com elas por ser um pouco tímido, questionando-se até o motivo de estar namorando Marianne(na verdade, foi ela quem tomou iniciativa). Quando chegou ao principal mercado da cidade, ele pegou o que estava na lista( arroz, café, feijão, abóbora e quiabo, etc.) , colocando-os em um carrinho cujas rodas eram defeituosas(que azar).
Após pegar tudo o que era necessário, deslocou-se para a fila do caixa, onde começou a divagar. Divagar sobre a vida, o namoro, as séries e filmes, tudo que via com frequência. Quando o scanner apitou, ele percebeu que ainda divagava. A boca falou antes da mente:
–Eu...te amo.
A lojista cora e, ao perceber o que falou, Mikhael também corou.
–Então...isso foi inesperado. –ela falou, com uma voz bonita.
Assim como a voz, a aparência da lojista era bonita. Sua pele tinha uma tonalidade de creme. Seu corpo era curvilíneo, apesar da roupa não mostrar suas curvas. Tinha olhos azuis, de tonalidade profunda, e eram expressivos e grandes. Era loura de cabelos longos.
–Foi um breve período de vergonha, minha senhora. Falei a coisa errada por vergonha. –Mikhael falava enquanto colocava os itens no balcão.
Os olhos da lojista brilham levemente enquanto falava e passava os itens do cliente, verificando o preço:
–Vergonha...–Pensou por alguns segundos– ...você tem consumido muitas histórias românticas, certo? Isso é quase um clichê nesses tipos de história. –e sorri.
–Sim, sim...especialmente depois que comecei a namorar. –Mikhael ficou à vontade quando a lojista põe o último dos itens. –Quanto ficou tudo, senhora lojista?
A lojista soma os valores com caneta e papel, falando posteriormente:
–76 reais e 21 centavos. –E fita-o nos olhos, com uma expressão boba, mas fofa. –Como vai pagar?
Do bolso, Mikhael pega um cartão de débito. Após pagar, ele ainda ousa perguntá-la:
–Por que a senhora usou papel e caneta se o próprio computador do balcão escaneava o código de barras e somava?
–É mais prático para mim. Por fim, boa noite. –ela se despede enquanto Mikhael sai da loja.
Ele mal dá 5 passos fora da loja que, vermelho como um tomate maduro, ele cai de joelhos no chão, gritando para si mesmo:
–Mas o que diabos eu falei naquela hora!?
E prometeu nunca mais pensar em romances na fila do caixa.
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