A maldição conjugal

       Em tempos de outrora, houvera um homem que, por um erro psicológico ou não, pensava ser ameaçado pelo governo de ser morto. Todos ignoravam-o por conta disso, e aqueles que buscavam saber de sua história só receberam loucuras, frutos de sua pouca sanidade. Só que há uma história por trás desses seus atos.
      Em um ano perdido, ele se chamava "Gregor II", primogênito de Gregor I, um agricultor do norte da Alemanha. Ele vivia bem em seu campo de agricultura de subsistência com sua mulher(chamada Samantha Van Hof). Certa manhã, enquanto limpava os seus sapatos atrás de sua pequena casa, um carteiro bateu à porta. Rapidamente, Gregor fez a volta na casa e recebeu após o carteiro avisar:

–É para Samantha Van Hof, senhor. É um parente dela?

–Sou o marido dela. –Gregor respondeu, o que fez o carteiro compreender.

     O carteiro foi embora e Gregor entrou em casa, sentando-se à mesa enquanto esperava Samantha voltar da província comercial da cidade pacata. Por precaução, Gregor leu o remetente da carta:

"Sully Hof
Dinkelsbühl
Para Samantha Van Hof"

     Sully era o seu cunhado, irmão mais novo de Samantha que ele nunca viu antes.

"É uma raridade ele enviar cartas", ele pensou, "Segundo Samantha, ele tem uma grande afeição desnecessária por mulheres em geral."

      Poucas horas depois, Samantha chegou em casa e Gregor entregou-lhe a carta. A dúvida inicial tornou-se um estranho brilho nos olhos quando a jovem mulher abriu a carta, e ambos leram:

"Querida irmã,

Eu sei que, por conta do meu cargo na nobreza, tive de distanciar-me das terras do norte por alguns anos, o que me impossibilitou conhecer, na época, o seu noivo(agora marido). Por uma estranha sorte, eu consegui tirar pequenas férias do meu título, e será uma gratidão passá-la convosco. Espero que seu cônjuge seja uma boa pessoa. Caso contrário, serei obrigado a penalizá-lo.

At.te:

Sully Hof"

    Gregor estranhou a ameaça de seu cunhado, mas tentou ignorar à princípio. Seus pensamentos fixaram-se em outras coisas, especialmente no comportamento obsessivo descrito por sua esposa algumas vezes antes, além de um certo segredinho...

–Estou tão feliz, Greg! –Samantha gritou, tomando e apertando ambas as mãos do marido. –Ele finalmente vai conhecer-lhe depois de tanto tempo!

–Assim espero. –Gregor respondeu.

    O segredo em questão sobre seu cunhado era sobre os homicídios frequentes realizados em autoria de Sully, que adotava um codinome de "O furtivo" durante esses atos, os quais foram bastante comentados em jornais. Como Samantha não sabia disso? Ela era analfabeta. Gregor nunca quis espantá-la com essas notícias sobre seu "maravilhoso" irmão.
        2 dias depois, enquanto Samantha estava fora, alguém bateu à porta de Gregor novamente. Ao abrir, fora revelado um belo rapaz ruivo, de olhos azuis e cabelo curto. Tinha 1 metro e 69 de altura e aparência infantil. Esse era Sully Hof, seu cunhado. Era perceptível as diferenças físicas entre os irmãos, sendo que a irmã mais velha tem cerca de 2 metros de altura e corpo mais voluptuoso.
     Gregor recebeu-o com gentileza, e ambos se sentaram à mesa, um de frente para o outro. Sully encarou-o feio depois de falar:

–Então, onde está a minha irmã?

    Com um leve sorriso, Gregor respondeu-o com pachorra:

–Está na província comercial da cidade. Você sabe que ambos descenderam de comerciantes.

–Humph...ela ainda está nessa? –Sully pergunta, com um tom forte de voz. –Eu já falei para ela trabalhar com costura, que é melhor para ela.

–Ora, senhor, ela nunca reclamou da vida de comerciante, certo? Então é melhor deixar como está. –Gregor aconselhou.

    Sully bufou, frustrado. Suas bochechas coram levemente de raiva.

"O que esse cara tá querendo com a minha irmã? Contrariar o governo ou o quê?", pensou, evitando olhar diretamente para Gregor.

     Gregor pega um pão de uma vasilha e oferece-o ao cunhado.

–Não aceito qualquer coisa feita com as suas mãos! –Sully gritou.

–Ah...mas a Samantha faz pães tão bons... –Gregor falou.

     Sully mal esperou ele terminar de falar e já tomou-lhe o pão da mão e começou a dilacerar feito uma fera.

–Você estava com fome, ein? –Gregor brincou.

–Humph... –fez Sully.

     Um tempinho depois, Samantha voltou à moradia e, ao ver o irmão sentado à mesa, sorriu e abraçou pelas costas, comentando ao receber:

–Meu belo irmão. Como está? Tudo bem? Espero que sim.

    Sully corou.

–Tudo bem, minha grande irmã. Tudo maravilhosamente bem. –E, fitando Gregor, ele pediu. –Precisaremos de um pouco de privacidade, senhor Gregor. Poderias tu dar-nos essa possibilidade?

     Gregor assentiu, levantou-se da cadeira e saiu da casa. Tomando o lugar de seu marido, Samantha ouve as seguintes palavras de seu irmão:

–Então, Samantha...você ainda está trabalhando como comerciante nessa cidade pacata?

    A princípio, desconfiou Samantha, mas Sully continuou:

–Sabe...nós dois ficamos órfãos bem cedo, quando você tinha 11 anos e eu tinha 8. Éramos inseparáveis naquela época, e as últimas coisas que nosso pai queria era que eu protegesse o reino e você se tornasse uma dona de casa. Eu segui isso, já você não.

–Ah, é mesmo... –Samantha sempre era cabeça-oca. –...desculpa, eu não me lembrei.

–E passou essa responsabilidade ao seu marido? –Sully perguntou. –Homens devem guerrear, e não cuidar de casas velhas.

–Mas...

    Sully se levantou da cadeira e beijou Samantha na boca, interrompendo-a. Quando parou, ele falou:

–"Mas" nada, minha irmã. Vamos para Dinkelsbühl semana que vem.

–Mas...e meu marido? –Samantha perguntou.

–Você vai. Você não tem opção melhor. –Sully falou.

      Foi nessa hora que Gregor abre a porta com um balde de leite, gritando eufórico:

–Quem é que vai querer um pouco de leite? –e foi até o caldeirão, objeto o qual jogou o leite.

–Tudo bem... –Sully falou, mal-humorado.

*****

    Na madrugada do dia seguinte, Sully se levantou na mais completa escuridão, pensando:

"Esse Gregor...mudou a minha irmã. Ela deveria honrar a família Hof, tornando-se dona de casa, e não comerciante. O comércio é exclusivamente para homens."

     Levantando-se, aproximou-se de Samantha e, ao acordá-la, sussurrou em seu ouvido:

–Você se lembra do que o nosso pai falou, certo?

     Ainda sonolenta, Samantha pergunta:

–O quê...?

    Sully recitou, com as mais corretas palavras:

–"Meus queridos filhos, Samantha e Sully Hof, irei dizê-los uma coisa antes de partir a um mundo melhor: sigam o que fora proposto em tempos de outrora pela família Hof. Ou seja, Sully deve se tornar um grande cavaleiro e Samantha deve se tornar uma dona de casa. Caso desobedecer, a morte é justificável.".

E sorriu antes de continuar a falar:

–Se lembra disso, Samantha? Como você desobedeceu isso, ora você, ora seu marido, devem ser morto...

      Do bolso, ergueu uma faca e aproximou-a do pescoço da irmã.

–Sabe...não seria problema seu marido assistir a esse feminicídio, mas ele está dormindo profundo.

    Ao olhar para o local onde Gregor estaria, viu que não tinha ninguém lá, o que surpreendeu Sully. Depois, ele voltou a sorrir.

–Bem...pelo menos ele não vai perceber seu assassinato. –pensou em voz alta.

–"Ele" quem? –perguntou alguém da penumbra que não era iluminada pela lua.

     Em desespero(e pelo susto), Sully esfaqueou o coração da Samantha antes de olhar para trás, fazendo um corte em quem estaria atrás de si. Observou e viu que era o próprio Gregor, que se escondera ali enquanto Sully perturbava sua mulher. Sully enfureceu-se, falando que o assassinato de Samantha era culpa dele, por desviá-la do caminho correto. Cortou o braço de Gregor antes de esse segundo tomar-lhe a faca e matar-lhe brutalmente, só podendo lacrimejar tempos depois.
     Após esse incidente de luto, Gregor casou-se mais 2 vezes, mas ambas morreram do mesmo jeito, o que levou Gregor a crer que estava destinado a sofrer por aquilo.

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