O silêncio de Chinmoku
A ansiedade social é uma luta interna e fervorosa em relação à pessoa que a porta. É uma coisa horrível para quem possui isso, especialmente para Shiina Chinmoku, filha de imigrantes japoneses no Brasil.
Era uma manhã quando Shiina Chinmoku precisava ir à biblioteca pegar um livro para um trabalho escolar. Com certo nervosismo e gagueira, conseguiu avisar à sua mãe, que sempre é tagarela e alegre.
-Que demais, filha! Vai sozinha? -ela perguntou.
Shiina assentiu, tremendo um pouco. A mãe acompanha-a até a porta da casa, mesmo sendo pouco necessário. Nesse momento, entra o Sr. Chinmoku, pai da Shiina, que acabara de voltar das compras. Ele mal chegara e a esposa falou:
-Querido! A Shiina vai ir à biblioteca hoje! Legal, né?
Não houve resposta verbal do marido, que fitou a filha nos olhos, e se compreenderam com olhar, como se tivessem lendo o pensamento do outro(além de uma linguagem visual).
"Posso acompanhá-la?", o pai pensou.
"Vai atrapalhar?", pensou a filha.
"Não. Prometo.", o senhor pensou.
E os dois saíram de casa em direção à biblioteca da cidade. No caminho, eles veem uma sorveteria. O pai aponta para o local e aponta para a filha, confirmando se irão ao local(novamente, sem fala). A filha assente.
No local, eles se sentam a uma mesa, chamando certa atenção com o estilo de roupa do senhor e a beleza da filha. O pai não conseguia verbalizar sua pergunta, que seria sobre o que seria o suposto trabalho que necessitava da ida na biblioteca, e a filha não conseguia chamar o atendente. Ambos estavam bem tensos.
Quando a atendente chegou na mesa deles, perguntando-lhes sobre o pedido, os dois apontaram seus pedidos no cardápio, sendo as seguintes escolhas:
Shiina: Banana split de nata, doce de leite e chocolate.
Sr. Chinmoku: Um cascão de chocomenta.
Enquanto esperavam os pedidos, o senhor Chinmoku conseguiu verbalizar, tenso:
-Então...sobre o que é o trabalho? -e aliviou-se depois.
Com o rosto levemente vermelho, a filha falou:
-S...sobre Re...Revolução Russa. Precisarei a...apresentar um re-relatório.
Acreditem se quiserem, o cérebro dela quase fritou enquanto respondia isso. Instantes depois, os seus respectivos pedidos chegaram, com colheres para cada um. A jovem come uma colherada de seu sorvete, sua pele empalidecendo depois.
"Gelado", pensou.
O pai, um senhor de meia-idade, experimenta o sorvete da filha, e possui a mesma reação e pensamento.
Após comerem seus respectivos sorvetes, o senhor Chinmoku, ainda tenso, paga a conta e os dois vão embora. Shiina indo à biblioteca e o pai para casa.
Resumindo o resto da história: Shiina não conseguiu pegar o livro desejado emprestado por conta da ansiedade social.
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