Marie: a boneca de Metoo
Quando todas as mulheres eram crianças, todas costumavam fingir ser belas mães do que todos chamam de "bonecas", aquelas pequenas pessoas feito de plástico ou pano que todas as garotas fingiam ser sua responsável, uma doce mãe antes do casamento. Eu havia falado "todas", certo? Mas nem todas as garotas foram assim, pois existiu uma que não cuidou de sua boneca; apenas tornou-se sua subordinada.
Seu primeiro nome era Marie, uma criança britânica que viveu no início do novo século. Se você, meu caro leitor, lia todas as notícias do mundo entre 2000 e 2005 e nunca leu sobre esse acontecimento, pois saiba que foi omitido de todos os jornais. Mas não iremos desviar do assunto. Apenas saiba que Marie era uma garota doce e ingênua.
Era 19 de abril de 2004, o aniversário de 6 anos dessa jovem garota. Como toda criança, a sua felicidade estava à tona desde a hora de acordar, apesar de ser uma segunda-feira(ela odiava esse dia da semana em específico). Após a manhã de aulas, ela caminhava de volta para casa pensando ansiosamente no que teria naquele dia especial. Enviara convites de aniversário para seus colegas durante as aulas, e mal podia esperar até o horário das 18 horas.
Quando chegou à porta de sua casa, Marie viu uma caixa paralelepípeda com um embrulho de presente rosa. Não tinha remetente, mas o destinatário era o seu próprio nome: Marie J. Potter.
Será que o remetente esqueceu de pôr o nome? Ou seria um suspense? Algumas dúvidas ficaram na mente da criança quando ela entrou em casa com o presente.
Ao entrar em casa, ela pergunta aos pais se sabiam quem deixou aquela caixa na porta da casa. Ambos negaram terrivelmente, e Marie foi com o suposto presente ao seu quarto, caindo de bruços na cama. Deveria abrir agora ou não? Ela fez várias perguntas para si enquanto se posicionava de diversas maneiras na cama(plantando bananeira, pose de super-herói, etc.). E isso foi até sua mãe chamá-la para almoçar.
Após a tentativa de ter um almoço tranquilo em pleno aniversário, a pequena criança volta ao quarto, pega a caixa embrulhada e segura uma pequena ponta solta do embrulho. Da parte onde a ponta compunha, era possível ver a letra "M".
Isso ansiou-a ainda mais e rasgou o embrulho em poucos segundos, não conseguindo conter mais a emoção. No topo da caixa, lia-se "Metoo", e vinha uma boneca de aparência sonolenta e cor do cabelo semelhante ao de Marie: louro.
Marie tirou a boneca de pano da caixa e começou a conversar com ela, mesmo falando alto demais para quem está falando com uma boneca. Ouvindo a conversa solitária, os pais da criança vão ao quarto da filha e perguntam com quem ela estava falando. Marie mostra a boneca, falando que aquele era o presente da caixa de mais cedo. Os pais se relaxaram, e saíram pedindo para a filha falar um pouco mais baixo para não incomodá-los.
Após um tempinho, a aniversariante do dia deixou a boneca de lado e foi à mesa do quarto, começando a fazer as tarefas que a professora havia passado naquela manhã, conseguindo deixar de lado o papo da festa de aniversário que terá à noite.
Na tarefa de matemática(o qual ela achava um pouco difícil considerando a idade dela), ela teve de contar nos dedos ao multiplicar os números presentes no papel de tarefa, tendo de se esforçar levemente.
"3 vezes 3...", ela pensou, "...é a mesma coisa de 3 mais 3 mais 3."
Com os dedos, ela mostrou 3 dedos para si mesma. Depois, adicionou mais 3 dedos e, antes de adicionar os outros 3, uma voz falou que o resultado era 9. Isso deu um sustinho em Marie, mas ela anotou o resultado.
Após alguns outros cálculos da tarefa, Marie olha para a cama, onde a boneca deveria estar. Não estava apoiada nos travesseiros, como ela a deixara minutos antes. Ao se virar para frente para continuar a tarefa(que transitava de matemática para inglês), ela vê a boneca sentada na mesa, olhando para ela.
Marie pega a boneca e leva-a à cama de volta, certificando que não saísse. Após isso, ela volta à cadeira e, antes de continuar, olhou o relógio na parede: eram 14:53.
O tempo se passou. Marie se certificou em terminar as tarefas exatamente às 15:10 e, depois disso, ela começou os preparativos para a própria festa de aniversário, que ocorreria daqui 2 horas e 50 minutos.
Ela pegou um balão vermelho do saco, e começou a enchê-lo. Sua capacidade de encher balões não era muita, mas cada esforço valia a pena. Após encher, ela entregava o balão à mãe, que amarrava o objeto elástico. Enquanto isso, o pai fazia o bolo na cozinha.
Por volta das 15:35, o pai de Marie ouviu uma voz semelhante à da sua filha perguntando se podia ajudar. Como a voz não estava muito clara para ele, ele apareceu na porta da sala para certificar da pergunta. Marie confirma que não perguntou nada, o que levou seu pai a achar que estava gagá.
Quando voltou à cozinha, viu, no chão, um balão vermelho furado e uma Karambit. Por que uma faca Karambit estava lá, aliás? Ele se lembra de já ter trabalhado no exército, mas nunca portou esse tipo de arma.
Voltou-se ao forno da cozinha, onde o bolo estava assando. Abriu-o quando o tempo acabou e, junto com o bolo recém-assado, estava a estranha boneca Metoo no forno, mas ainda ilesa.
O senhor nem teve uma reação concreta que a boneca ergueu o braço direito, onde havia alguns fios grudados nos dedos. Com um movimento de puxar, ela moveu o Karambit que estava no chão, segurando-o quando se aproximou da mão. Ouviu-se um último grito de um pai exatamente às 15:41.
Ouvindo o grito alto, Marie e sua mãe vão à cozinha, onde há uma poça de sangue de frente ao forno, assim como o cadáver do pai morto. Em cima de uma das mesas da cozinha, estava a boneca, enfeitando o bolo. Ao ver a criança, ela perguntou-lhe se estava aproveitando o aniversário. Claramente, Marie nega a pergunta, com a boneca respondendo com "Que tristeza...".
Ao descer da mesa, a bonequinha afirmou ter a necessidade de colocar um sorriso no rosto da aniversariante. Com a faca, matou a mãe da jovem e cortou um sorriso largo, de orelha a orelha, na face de Marie, mantendo-a viva.
Na época, os jornais não publicavam esse relato por conta da presença de cadáveres das pessoas que contavam essa história logo após contarem isso. Por uma estranha coincidência, todos esses corpos apresentavam um sorriso largo feito com uma faca e uma letra M gravada no peito desses corpos. É estranho, eu posso dizer, mas ninguém sabe se a próxima vítima será eu, por narrar isso para vocês 20 anos depois do último assassinato oficial. Bem...até mais.
Observação: Marie cometeu suicídio na noite de 19/04/2005, na tentativa de recuperar-se do trauma.
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