De vaca à pessoa
"Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não..."
Eram esses os primeiros versos de uma música que tocava no rádio de certa casa. Fora dela, pastava uma vaca, das mais belas que se podia ver. Seu nome era Mattie. Quando ela engoliu uma parte do capim, uma outra, que engolira anteriormente, volta à sua boca, mastiga novamente e engole. Assim fez por uns 5 minutos.
Mesmo aquela música sendo rotineira na vida de seu dono, Mattie se incomodava em ouvir aquilo após acordar. Em certo momento, parou de comer e foi ao cocho, para beber uma água de aparência duvidosa. Parou de beber por um tempo e olhou para frente.
O mundo subitamente ficou mais alto em sua perspectiva. Tentou balança a cabeça para passar a sensação, mas a cabeça estava leve e os olhos viam com uma clareza assustadora(além de saber que a grama é verde). O que era aquele apêndice fino e flexível? Um "dedo". A mente, antes focada em grama e segurança, agora estava inundada por pensamentos complexos sobre o "eu" e o novo ser...o tal ser humano.
Mattie, de alguma forma, conseguiu sair do curral, ir à janela da casa e desligar o rádio, interrompendo aquela música irritante.
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